quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

Liderança no Século XXI

Na minha opinião, uma coisa que pessoas em posição de autoridade precisam entender urgentemente é que vivemos tempos novos nas relações pessoais e de poder. A geração mais nova não respeita ou obedece uma pessoa só porque ela foi instituída em um cargo de liderança. Eles respeitam e seguem alguém porque percebem o indivíduo como referencial, um exemplo a ser seguido e que se importa tanto (ou até mesmo mais) com eles do que com os objetivos a serem alcançadas pelo grupo.

Isto é fruto do tempo moderno, sei. Mas vejam bem, nosso país já está livre da ditadura há mais de 30 anos. A era de bater continência sem questionar o porquê das coisas, ou fazer e deixar de fazer algo por medo de algum tipo de punição já não existe. Obediência apenas por hierarquia continua a existir apenas entre os militares. No ambiente democrático, racional e cético do século XXI tudo é questionado: a motivação, a implicância, a necessidade, o custo/benefício... E de acordo com os indicadores encontrados pelos indivíduos de um determinado grupo para estes questionamentos, a sua resposta aos projetos e à liderança em si vai variar, podendo gerar ânimo, união e motivação do conjunto, ou o contrário.

Se esta nova realidade é difícil para minha geração, que cresceu presenciando o desenvolvimento desta mudança de paradigmas, imagino ser tanto mais complicado para a geração anterior, que cresceu em um ambiente onde uma palavra dita por alguém em posição superior era lei; e que ainda espera que agora, estando na posição de liderança, deva ser obedecido igualmente.

Entretanto, infelizmente para estes que ainda pensam assim, esta postura de "chefe" já não aglutina mais as pessoas em torno de um objetivo comum; pelo contrário: espanta, afasta e cria resistência ao projeto. Um simples comandante não é mais o que as pessoas procuram, elas querem um líder que tenha o mesmo sonho que é compartilhado pelo grupo que lidera, e não sonhos próprios que o grupo é obrigado a abraçar. Um líder que veja os integrantes do grupo como pessoas valiosas e que têm algo a contribuir para o sucesso do conjunto, e não para a realização da agenda do indivíduo "alfa".

Abraço a todos.

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Evangelização de Crianças - TCC

Quando Jesus comissionou seus discípulos a ir pelo mundo pregando o Evangelho, ele não estipulou nenhum limite de nacionalidade, gênero ou idade. Ele disse que os alvos seriam "todas as pessoas" (Marcos 16:15 cf. NVI).

Ora, crianças também são pessoas e, portanto, estão obviamente inseridas nesse universo. De fato, um terço de toda a população mundial é composta de pessoas de menos de 15 anos, ou seja, um campo missionário vasto e amplamente inexplorado pela Igreja.

Já está mais do que na hora da Igreja considerar as inúmeras vantagens da evangelização de crianças, prestando especial atenção às estatísticas que comprovam que a época da vida na qual os indivíduos são mais abertos ao Evangelho é a infância.

A fim de colaborar com esse propósito, redigi meu Trabalho de Conclusão de Curso de Bacharel em Teologia sobre o assunto, e disponibilizo o mesmo para download a quem se interessa pela temática.

Minha oração é que, mesmo sendo uma contribuição humilde, o mesmo ajude a conscientizar, esclarecer e encorajar a Igreja a ver com novos olhos o ministério com crianças, que deve estar presente em todas as comunidades cristãs, para que invistam mais fortemente na evangelização infantil.

Baixe o arquivo em formato PDF aqui.

Abraço a todos.

quarta-feira, 22 de junho de 2016

Sobre o movimento religioso atual e o que mudou/está mudando socialmente

O texto abaixo escrevi para uma dissertação de avaliação na cadeira de Sociologia da Religião, no meu curso de Bacharel em Teologia. É uma espécie de reflexão, baseada em minha própria experiência nestes anos de crente, comparando o que vivi, com o que aconteceu socialmente, alternando entre a experiência local e o conjunto geral do pentecostalismo brasileiro.

Boa leitura e abraço a todos.

...

Nasci no (não tão longínquo) ano de 1974. Meus pais se converteram quando eu ainda era bebê de colo, fazendo parte da primeira geração de pentecostais da cidade. Cresci na igreja e posso testemunhar de algumas mudanças que vi neste meio social durante os anos.

Me recordo que lá pelo final da década de 70, ou início dos anos 80, a igreja se preocupava muito com a volta de Cristo. O arrebatamento parecia iminente a toda a comunidade pentecostal, muitas pregações eram feitas neste sentido e havia uma chamada à santidade, para que o evento não pegasse ninguém desprevenido.

Fato era que a Guerra Fria ainda existia. As tensões entre os dois blocos antagônicos deixavam no ar uma contínua expectativa de que uma guerra mundial pudesse estourar a qualquer instante.

   Este estado social certamente influenciava a teologia eclesiástica. Vivia-se neste mundo, se trabalhava, se buscava conquistar objetivos materiais. Entretanto, nada disto era importante. A expectativa estava no além. Na volta de Cristo, que livraria a igreja de todos os males e da opressão social que os crentes viviam.

   Opressão essa que era muito real. A primeira geração de crentes da minha cidade era muito discriminada. Era comum que quando alguém se convertia, fosse excluído do convívio familiar. Para as famílias religiosas tradicionais não era concebível a ideia de participar de uma comunidade que não tinha cemitério (bem a situação do fulano não ter onde “cair morto”), nem pastor formado, e muitas vezes nem mesmo um templo (as reuniões dos crentes costumavam acontecer nas casas).

Tudo para os pentecostais da época era muito simples. O que importava era que o Evangelho fosse anunciado, que vidas fossem mudadas. As preocupações seculares com a construção de templos e outros tipos de infraestruturas eram muitas vezes colocadas em segundo plano.

Não era vergonha (até pelo contrário) fazer cultos em praças públicas, distribuir folhetos e mesmo comprar espaço nas rádios para ter um programa com o intuito de pregar a Palavra. Esta era a prioridade. Mesmo quando a igreja se estruturou, construindo templos, crescendo no meio da sociedade, o alvo ainda não mudara, apenas ampliara seu foco: a nova febre se chamava “missões”.

A preocupação com almas em outras culturas coincidiu com um arrefecimento da expectativa do retorno iminente de Jesus. Mas não foi coincidência isso se dar na mesma época em que o comunismo (supremo antagonista da fé cristã na época) desmoronava.

Conforme a comunidade pentecostal crescia, a sociedade também foi gradualmente a aceitando mais. De certa forma, à virada do século, tínhamos uma igreja mais light, que evitava cometer exageros dogmáticos e disciplinares do lado interno, e que começava a compreender em como se mover no meio da sociedade sem causar escândalo, no lado externo.

Sinal dos tempos, uma era estava acabando. Chegamos ao século XXI, a Era da Informação. Ninguém mais quer ser antiquado, tradicional. O padrão moral da sociedade muda, divórcios proliferam e fazer sexo antes do casamento já não é estranho pra ninguém. Hábitos e atitudes anteriormente mantidas em segredo agora são praticadas abertamente e não causam mais alvoroço algum. Uma geração acostumada com bens descartáveis cresce com a mentalidade de que não há mais bens duráveis, tampouco valores. Inevitavelmente este movimento social reflete na igreja.

Os velhos métodos já não são eficientes. Busca-se aprimorar as técnicas. Missões perdem a prioridade. Para que evangelizar longe, arcar com os investimentos necessários, se temos tantos a ser ganhos aqui do lado? Pessoas divorciadas aceitam Jesus como salvador, querem se batizar. O que fazer? Permite-se. Agora querem casar de novo! Pior, filhos de crentes não tiveram um namoro segundo as Escrituras, mas agora querem casar... Alguns irmãos querem uma volta no tempo, que as mulheres não cortem mais o cabelo! Que confusão!

Novos dilemas surgem a todo instante. Para o mundo, até o homossexualismo já é tolerado sem maiores ressalvas. Na instância cívica e legal, até mesmo leis começam a ser aprovadas em favor das minorias. A comunidade vive um conflito constante entre o que prega, as ações dos seus membros e a posição que deve ter quanto a assuntos polêmicos. Na busca de uma nova identidade, ou no anseio de consolidar a antiga, o debate prossegue e, por muitas vezes, o reflexo na igreja é ambíguo.

Externamente, de modo geral, a comunidade pentecostal agora é aceita como parte integrante da sociedade. Politicamente, é um nicho a ser explorado.

Internamente, a igreja mudou. As facilidades providenciadas pela tecnologia e pela modernidade modificaram alguns hábitos dos crentes. Quem não tem carro, já não precisa caminhar 40 minutos para vir a um culto. Há ônibus da própria comunidade que passa perto de casa. Os cânticos da Harpa, com linguajar e melodias desatualizados, são substituídos. Os novos louvores não precisam mais ser decorados, pois se expõe a letra do corinho no retroprojetor.

Mas não foi só isso. A igreja, agora aceita pela sociedade, também aceita a sociedade sob diversas formas. Muitos participam dos cultos, grandes templos se enchem, mas no meio há muitas pessoas que não firmam um compromisso real com Deus. Adquirem o jargão evangélico, o jeito de pentecostal, falam o “crentês”, participam das atividades, mas não deixam a vida de pecado do mundo.

Em novos tempos, em que tudo é preconceito e passível de processo, a igreja já não sabe como deve lidar com alguns casos. O que pode ser feito ou não se torna um mistério.

Na área doutrinária e eclesiástica, novos métodos e novas teorias teológicas se espalham pelo Brasil. Os novos métodos ajudam na intenção da propagação do Evangelho. Por outro lado, muitas dessas novas teologias acabam por encontrar terreno fértil entre aqueles que foram ganhos, mas não devidamente instruídos.

A prioridade dos crentes, que uma vez foi o além, passa a ser o aqui e o agora. O Deus que uma vez era soberano e digno de ser temido, agora é aquele que garante benesses que devem ser exigidas e das quais o crente toma posse. Os focos no porvir, na simplicidade, na santidade praticamente não existem.

Sob a influência da sociedade cada vez mais materialista, imediatista e ateia do século XX, a igreja começa a apresenta muitas características de empresa. Focada no objetivo de ganhar pessoas, o método e a sistemática são amplamente discutidas, ao passo que a profundidade no ensino da Bíblia é, na maioria das vezes, deixada de lado.

Considerando todo este relato, facilmente se nota como a sociedade, suas expectativas e seu modo de vida afetam a igreja. Triste é perceber que ao invés de influenciarmos o mundo, somos por ele moldados. Nestes meus mais de 35 anos de conversão, muitos eventos sociais ocorreram, mas minha maior preocupação hoje é imaginar como será a igreja em que minha filha irá congregar e na qual irá criar seus filhos daqui a uma década ou duas.

segunda-feira, 21 de março de 2016

O pastor e suas atividades eclesiásticas

Chego à minha última monografia no curso de Teologia. Próxima parada: TCC.

Mas antes, compartilho com quem possa interessar este trabalho sobre "O pastor e suas atividades eclesiásticas". Na prática, Teologia Pastoral.

"O ministro que leva a sério seu chamado e sua função no Corpo de Cristo enfrenta várias situações complexas, experimenta uma vida de sofrimentos e abnegações por conta de sua responsabilidade com o rebanho e possui uma série de atividades das quais precisa dar conta diante da igreja que serve. A presente monografia tem por objetivo abordar diferentes aspectos do pastorado e assuntos relacionados ao indivíduo que o exerce."

http://www.mediafire.com/view/6r2c2shi9nj0cd5/Monografia_Teologia_Pastoral.pdf

terça-feira, 8 de março de 2016

A hipocrisia de alguns não justifica o erro de outros

por Luiz Ulisses Bender
Nos últimos tempos a alegação de hipocrisia tem sido amplamente utilizada com o intuito de diminuir ou desmoralizar críticas e acusações que são levantadas contra um tipo de conduta, mais proeminentemente nas áreas moral e política.
Não obstante a hipocrisia ser algo detestável, condenável, e um erro que se soma aos outros tantos cometidos por quem usa de tal subterfúgio, é importante à sociedade lembrar que críticas ou acusações hipócritas não anulam o fato de que o alvo de tais apontamentos está, efetivamente, incorrendo em erro.
Se um político é acusado de roubo... opa! desculpem-me... de "desvio de verbas", logo se afirma que quem o está acusando é tão corrupto quanto ele, o que configuraria uma atitude hipócrita, sugerindo-se, assim, direta ou indiretamente, que melhor seria manter o que está no cargo do que trocar por outro de igual estirpe.
Ora, tal inferência não poderia ser mais enganosa. Se há evidências de ilegalidade, investigue-se, puna-se, retire-se o mesmo da vida pública. A hipocrisia de alguns não justifica o erro de outros.
Obviamente que se quem acusa comete delitos semelhantes, de igual forma... apure-se, puna-se. Mas que a má ação deste não sirva de salvo-conduto para aquele. Isto é um absurdo.
De igual forma, quando se discute a questão moral, muito comum é que se depare com a afirmação de que tudo não passa de "falsa moral", evocando até mesmo a seguinte reação: "estão pregando moral de cuecas!"
É bem verdade que não poucas vezes isto acontece. Entretanto, mais uma vez, a hipocrisia de alguns não justifica o erro de outros.
Ainda que quem anuncie o que é certo não pratique o que defenda, ou que quem condene algo de errado enquanto o pratica, tais condutas não alteram a realidade de que o que é certo é certo, e o que é errado é errado.
Para finalizar, a respeito disso podemos considerar o (talvez)  mais famoso texto sobre hipocrisia, sempre lembrado nas discussões sobre o tema: a história da mulher adúltera de João 8.
Verifique que a tal não foi justificada porque seus acusadores eram hipócritas. Seu pecado continou sendo real a despeito dos acusadores terem se retirado.
O que aconteceu é que ela foi perdoada por Cristo e foi-lhe dada uma condição para que permanecesse salva: "vai e não peques mais" (João 8:11). Assim, mais uma vez vemos que a hipocrisia de alguns não justifica o erro de outros.
E apenas para esclarecer, não estou advogando a hipocrisia. Longe de mim tal coisa. Todavia, é imperativo que esta não seja mais considerada como um escudo por quem errou, deve, e certamente merece arcar com as consequências de seus atos.
Abraço a todos.

terça-feira, 24 de novembro de 2015

Goleiro

Pra mim é assim...

Ser goleiro no joguinho semanal da galera, é sempre jogar sério.
Sempre jogar pra ganhar.
Fazer o melhor, mesmo sabendo que não basta (nunca basta).
Saber que, diferente do atacante, qualquer erro cometido vai fazer diferença no placar.
Porque todos podem errar, menos o goleiro.
Ser goleiro é levar um tapinha nas costas quando faz um milagre; mas ser escrachado pro resto da vida quando tomar um gol bobo.
É distender o braço, destroncar um dedo, levar uma canelada, uma bolada no rosto... e todo mundo achar normal.
A vida do goleiro é voltar pra casa chateado quando sabe que não foi bem.
É também voltar chateado quando, apesar de ter ido bem, não conseguiu evitar a derrota.
Jogar de goleiro é ter que ser o melhor com as mãos, porque não te acham bom o suficiente com os pés.
Afinal, ninguém nunca quer jogar no gol.
Mas goleiro é a posição mais importante de um time.
À exceção do hóquei, nunca vi time jogar sem goleiro.
Podem jogar sem atacante, sem meio-campo, sem zagueiro... mas jamais sem um goleiro.
Até a brincadeira semanal fica bagunçada se não tem alguém que é, antes de tudo, goleiro.
Aquele que evita o gol do adversário.
A última linha de defesa.
O último bastião de esperança.
O cara de debaixo das traves, que tem a singela obrigação de salvar o time quando tudo parece perdido.

Abraço a todos.

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Exegese Bíblica

Dando seguimento ao meu curso de Teologia na FAETEL, entreguei a monografia referente o módulo 7 do curso no último final de semana.

Compartilho o mesmo com quem tiver interesse de conhecer um pouco mais sobre os assuntos de Exegese e Hermenêutica, afinal... “Não há livro mais perseguido pelos inimigos, nem livro mais torturado pelos amigos, que a Bíblia, devido à ignorância da sadia regra de interpretação” (E. Lund).

Para download, clique aqui.

Abraço a todos.

quarta-feira, 22 de julho de 2015

As sete dispensações

Após concluir mais um módulo no meu curso de Teologia da Faetel, e ter entregue a monografia referente a reunião anterior, publico aqui o conteúdo do meu trabalho, como de costume.

Acredito ser um assunto bastante útil, que todo crente deveria conhecer para não cair em algumas armadilhas doutrinárias que existem por aí.

Entender as características, os termos e a validade de cada uma das 7 DISPENSAÇÕES nos faz entender melhor a doutrina bíblica que devemos aplicar em nossa vida cristã; e também quais se tornaram obsoletas para a Igreja.

Afinal, “o dispensacionalismo é crucial para que se entenda corretamente a Bíblia, em especial, a Profecia Bíblica.” - Thomas Ice

Segue o link: http://www.mediafire.com/view/q8x2gw30nmu9guu/Monografia_As_sete_dispensações.pdf

=)

Abraço a todos.

segunda-feira, 25 de maio de 2015

Avivamento

Você já parou para pensar o que é um avivamento? Como ele se dá? O que deve acontecer em um avivamento? Pois é, muitas vezes a gente fala sobre isso, mas não tira um tempo para definir o que realmente esperamos que aconteça. Há alguns anos eu tenho desenvolvido um conceito pessoal, que acho pertinente compartilhar, agora que voltamos a falar desse assunto na igreja.

Acredito que um avivamento consiste em quatro fases distintas, porém nem sempre bem delineadas, pois geralmente essas se sobrepõem umas às outras.

A primeira fase é o que eu, particularmente, considero o avivamento propriamente dito. É quando os crentes, sentindo que o mover divino está chegando e que precisam mais de Deus começam a busca-lo mais, orar mais, se consagrar mais, ajustar aquilo que ainda falta em suas vidas para que possam ser cristãos verdadeiros.

Como eu disse, considero esta fase como o real avivamento, quando o Espírito Santo aviva os corações dos membros da Igreja, quando cada indivíduo entra num relacionamento mais profundo, verdadeiro e íntegro com Deus. Acredito assim, que o avivamento surge de dentro pra fora, e não de baixo pra cima ou de cima pra baixo.

A segunda etapa que percebo ao olhar para experiências de avivamento já acontecidas em outros lugares, é que acontece uma unidade entre a Igreja. E no termo Igreja não me refiro a alguma denominação. Não. Antes me refiro ao corpo espiritual de Cristo, espalhado entre diferentes correntes doutrinárias e teológicas.

Ora, unidade não é uniformidade. Assim teremos sempre irmãos pensando diferente. Contudo, a unidade da Igreja, o consenso entre os diferentes movimentos denominacionais em uma cidade ou região é vital para que Deus possa operar livremente no meio da sociedade. Não é possível que um avivamento surta o resultado esperado em um corpo dividido.

Exemplificando o que quero dizer, imagine vários pescadores à beira de um rio, onde passa um grande cardume. Se os pescadores entrarem em acordo, haverá peixe suficiente para todos, e poderão até se ajudar para obterem melhor resultado. Mas se ficarem se digladiando na margem, e até rasgando as redes uns dos outros, a oportunidade vai passar sem ser aproveitada. Dá mesmo pra acreditar que Deus providencie um avivamento numa situação como essa?

A terceira fase é uma das mais esperadas por todos. É quando os sinais que seguem aqueles que creem (Marcos 16:16 e 17) começam a acontecer. Eles servem de evidências do mover divino, são uma resposta à busca pela pessoa de Deus mencionada lá no item primeiro e um testemunho àqueles que ainda não conhecem a Palavra de que o que é pregado é verdade.

A quarta etapa talvez seja a mais evidente e certamente é aquela que a maior parte da Igreja considera como o avivamento de fato. É quando a sociedade é atingida pelo mover de Deus, fazendo com que as pessoas se tornem mais propensas a aceitar a pregação do Evangelho.

Nesta fase há uma liberdade muito grande para se anunciar a Palavra, muitas pessoas se convertem e outras tantas sentem tanta fome espiritual que procuram por si mesmas encontrar a Deus. É um período de colheita fora do comum, algo que tão somente o mover divino pode causar no meio de um povo, algo independente da ação humana, algo sobrenatural.

Completados os quatro estágios, aí temos, em minha humilde opinião, um avivamento. Mas cumpre lembrar que o mover de Deus durante um avivamento não é algo perene. O avivamento é como uma onda, ou seja, um período de tempo onde a ação divina ultrapassa os limites do esperado e do comum. Ela vem, cobre tudo e depois passa.

Do meu ponto de vista, a grande responsabilidade humana em relação ao tema é a de conservar a colheita que é feita durante esse pico. É, em primeiro lugar, não perder a oportunidade e, em segundo lugar, manter os frutos depois que o fogo tiver diminuído.

Por fim quero dizer que acredito, sim, que há uma promessa de avivamento para nossa cidade e estado. E, ao contrário de muitos, creio em uma espécie de avivamento mundial, precedente ao final da Era da Igreja. Mas não quero entrar em detalhes sobre esse assunto agora, pois o artigo já ficou grande demais...

É isso aí. Abraço a todos.

quinta-feira, 23 de abril de 2015

Nem Capitalismo, nem Socialismo... “Pentateuquismo”!


Quero expandir um pouco o assunto do qual tratei no artigo anterior. Parto da assertiva de que o Novo Testamento não pode ser usado nem a favor do Capitalismo nem do Socialismo, por uma razão simples: a Igreja não tem função de Estado, então suas normas não se aplicam a nível econômico-social.

Se quisermos ter alguma noção bíblica de algo relacionado ao tema temos que procurar no Velho Testamento, mais propriamente no Pentateuco, onde Deus traça as regras para que o Estado de Israel pudesse ter uma vida sadia como nação, onde a justiça social pudesse ser uma realidade (ainda que não perfeita, afinal estamos nesse mundo) e onde todos pudessem ter oportunidade de evolução econômica.

O pressuposto básico das leis econômico-sociais do Pentateuco é de que “do Senhor é a terra e sua plenitude” (Salmo 24:1a). Em outras palavras, Deus é soberano sobre tudo, sobre a terra, sobre os meios de produção, enfim. Tudo parte daí. Então Ele pode outorgar esses bens conforme deseja, tirar quando bem-entender e dar a outro se quiser.

Este conceito é muito forte e real. O povo de Israel então recebe a terra porque Deus a dá a eles. Reparte a terra entre todas as famílias. Assim, a terra se torna propriedade particular de cada família, e cada uma delas tem o direito e o dever de manter essa propriedade no decorrer das gerações.

A terra podia ser arrendada e vendida, sob certas condições. Mas aí existia o ano do jubileu (Levítico 25), quando todas possessões voltavam a seus donos originais.

Esse recurso garantia que a propriedade de uma família continuasse sempre a pertencer aos herdeiros da casa. Garantia que uma família sempre teria meios de subsistir ou meios de produzir para seu próprio sustento ao menos. Por um lado impedia que alguém vivesse no meio do povo sem ter posses e por outro lado coibia o acúmulo de riquezas.

Este acúmulo de riquezas também era restringido em outras normas. O empréstimo com usura era condenado, ou seja, fazer dinheiro às custas da necessidade de outrem era terminantemente errado.

Tomar um irmão hebreu como escravo era proibido. Ele poderia servir, trabalhando para alguém por um tempo a fim de pagar uma dívida, mas jamais poderia ser considerado um escravo. Escravos só podiam ser tomados de nações vizinhas e tinham também direitos de alforria.

Essas condições não evitavam o empobrecimento de alguns e o enriquecimento de outros, mas certamente promoviam uma sociedade mais igualitária e justa. Não se tirava de quem produzia para sustentar aqueles que não contribuíam, mas também não seria possível acumular bens, deixando outros sem meios de se auto sustentarem.

Quanto àqueles que por algum motivo não conseguissem manter seus meios de produção, havia mais outras leis. Cada lavoura tinha uma parte na qual o proprietário estava proibido de fazer a colheita. Esta parte estava destinada ao estrangeiro e ao pobre (Levítico 23:22). Só que, ao contrário dos programas assistencialistas atuais, os menos favorecidos que quisessem usufruir desse direito tinham que ir até a plantação e colher eles mesmos daquela reserva. Era basicamente o que Rute fazia.

Além disso, a Lei tinha um cuidado especial com o órfão e a viúva. É fácil entender o porquê. Naquele tempo a mulher não tinha mercado de trabalho como hoje. Tampouco os menores, herdeiros do falecido.

Dessa forma, várias são as exortações para que se respeitem seus direitos. Ademais, assim como o levita (os filhos da tribo de Levi não deveriam, por padrão, ser proprietários de terra) os órfãos e as viúvas participavam dos dízimos e das ofertas cerimoniais das festas celebradas pelos demais israelitas.

Quanto ao sistema de governo, ele era altamente descentralizado. Não havia um chefe de Estado. Não dá pra afirmar que o povo vivia em uma democracia, mas era um sistema rudimentar bastante semelhante ao início do desta. Talvez se Israel não tivesse quisto ser igual aos vizinhos e empossar um rei poderíamos hoje ter uma discussão sobre onde surgiu a democracia: Israel ou Grécia.

Finalizando, cumpre dizer que graças à ganância humana (e ao pecado) essas leis rapidamente foram ignoradas e não puderam revelar seu real potencial de garantir o sucesso de uma nação.

Entretanto, percebo que o “Pentateuquismo” é uma alternativa bem melhor do que o Capitalismo selvagem e egoísta e o Socialismo utópico e ateu.

Algumas ideias de justiça social do Velho Testamento certamente cairiam muito bem na constituição de qualquer Estado moderno.

É isso... Abraço a todos.